Estamos propícios a errar
diariamente, somos tendenciosos a magoar muitas vezes sem querer.
É possível que nossa
intenção seja boa mas, de repente as palavras saem erradas e uma virgula muda todo
o sentido da oratória.
Outras vezes, falamos ou fazemos
o que no momento achamos ser o correto e, logo depois nos arrependemos e
descobrimos que não agimos da forma mais correta.
De qualquer forma, errar,
magoar e ser magoado faz parte de nossas rotinas. A dúvida é como prosseguir.
Quando somos o ofensor –
porque claro somos suscetíveis a erros – devemos de pronto assumir a responsabilidade
pelo ato falho e pedir o perdão ao nosso irmão.
Mas e quando somos o
ofendido?
Essa semana tive uma
experiência linda – recebi um e-mail de uma então desconhecida contando uma
experiência pessoal de sua vida e, discutimos sobre os fatos. Como ambas não
são especialistas no tema, tampouco profissionais em comportamento humanos –
apenas expressamos nossas opiniões.
E, como sempre aprendemos
e ensinamos com as experiências foi um bate papo proveitoso para ambas e, com sua
permissão passarei a descrever o que acredito ter sido uma grande lição.
Em síntese, minha nova
AMIGA – D. Maria José - foi severamente magoada pelo companheiro de mais de 15
anos e, mal conseguia administrar todos os sentimentos que no momento a invadia.
Misto de ódio, rancor e amor abafado pois foram muitos anos de dedicação.
Depois nos certificamos
que qualquer tipo de vingança e multilação não seria viável, como noticiamos
nos jornais e, ao alcançar até algum tipo de descontração pois na hora da raiva
muitas ideias povoam nossas mentes.
Lembramos sem muitos
detalhes da passagem de Cristo que disse a Pedro que devemos perdoar o inimigo
70 vezes 7. E, minha amiga acabou confessando que, em 15 anos de casada talvez
tenha até ultrapassado as 490 vezes (que em contas rápidas seria coisa de três vezes
por mês – pareceu-me até razoável).
Quando D. Maria José
sinceramente admitiu que não conseguia esquecer, lembrei que usuamente ouvimos
que PERDOAR é esquecer o mal que nos foi feito.
Foi quando lembrei-me de
uma palestra de Edivaldo Franco orador de máxima grandeza e pessoa a quem tenho
admiração imensurável.
Segundo o Doutrinador - Perdão
verdadeiro é aquele que consiste em não devolver o mal praticado. É não conservar
a ideia perturbadora.
Afinal, cada um o direito
de ser como é e a nós concedemos o direito de sermos como estamos. Não
conseguiremos mudar o outro mas, temos o dever de melhorar a nós mesmos pelas experiências
que passamos.
Não tenho como impor minha
vontade e aquilo que acredito, mesmo que seja a mais correta mas tenho
obrigação - pois quero caminhar para o bem e para a evolução de não revidar o
mal com o mal.
Quando uma pessoa nos
ofende – ela tem o direito de ser como é – ela escolheu ser caluniadora e eu
também lhe dou esse direito – mas eu não posso me dar o direito de ser igual,
ficando com raiva, ou lhe fazendo mal também.
A cada vez que uma pessoa
tenta nos ofender e, nos sentimos ofendidos exatamente do jeito que ela
pretende – estamos sendo manipulados por ela.
E, ninguém pode
manipular nossos sentimentos e a nossa vida!
Então não dê a
importância maior do que realmente aconteceu.
Não acredite que
outra pessoa tenha o poder de controlar sua vida, sua mente e a sua felicidade.
Veja-a como um medico
analisa o seu paciente. Um doente. Por que uma pessoa saudável não magoa o próximo,
não sente prazer em sofrer a pessoa que ama.
Não o analise com
julgamento, mas, com a percepção de que aquela pessoa não consegue se mais ou
menos do que aquilo naquele momento. Cada um tem o seu caminho, tempo e
velocidade na evolução.
Se alguém nos
ofendeu, magoou, caluniou ou traiu por mais sofrimento que tenhamos, ainda
estamos numa situação privilegiada. Pois não fomos nós quem ofendemos.
Tanto nós quanto o
ofensor sabemos quem caluniou e traiu. Quem é o ofensor e o ofendido.
O problema é da
consciência dele.
Deixe-o com a culpa
que lhe pertence, não podemos permitir ficar manipulado pelo seu ódio e por sua
maldade. Odiando-o também.
Não devemos aceitar
que outrem tire a beleza do nosso dia, da nossa caminhada – por ser doente.
Agora, mesmo ciente
de que não devemos revidar o mal com o mal – sabemos que esquecer é outra
coisa.
Muitas vezes até gostaria
de esquecer mas fisicamente e fisiologicamente não seja possível.
Aquela imagem,
continuará guardada em nossa memoria – o que mudarão serão as sensações que as
recordações trarão.
À luz a psicologia
perdoar não é esquecer. Mas, não devolver o mal com o mal. Acredita-se
inclusive que a sentir raiva é natural, mas, conservar e cultivar o ódio nãos é
saudável.
E, o que fazer com
a magoa e a raiva – isso sim nos pertence.
Temos que ter a
consciência de que por mais que a pessoa levará com ela e sua consciência o
erro cometido, nada temos com isso.
Com o tempo, a
magoa vai abrandando pois passamos a perceber que demos importância maior do
que deveria.
E o esquecimento
somente vem quando a memoria se encarrega de diluir a impressão negativa o que
implica tempo, reflexão e auto superação, conforme ensinou o autor Divaldo.
Perdão não é
conivência com a coisa errada, mas não estar contra ele.
Perdão também
fingir que está tudo bem. Devemos perdoar quando realmente tivermos dispostos a
isso. Se alguém nos pedir perdão e não pudermos fazê-lo de coração devemos ser
sinceros:
- Infelizmente
ainda não consigo te perdoar ou, ainda estou muito magoado.
- de-me um tempo eu
preciso diluir.
Por que o tempo nos
é um ótimo companheiro. Temos que digerir, diluir a raiva. Evitando com todo o
nosso coração cultivar essa magoa que, muitas vezes é capaz de tirar uma vida.
Morrer de desgosto.
Importante é
lembrar que temos o compromisso com nós mesmo e não com o outro, perdoo por
mim, para a minha felicidade.
Não permita que outras
pessoas atrapalhem sua felicidade e o brilho do seu caminho.
Gandhi dizia: “Eu
não aceito que ninguém me ofenda’ dou o direito da pessoa ser agressiva mas não
me permito revidar a agressão.
Por que se a outra
pessoa é assim, nós não somos.
A vida já nos
coloca muitos obstáculos, desafios e provas, não vamos carregar o peso do
outro.
E, depois de muitas
trocas de e-mails, muita maturidade para tamanho desabafo e nos despedidos com
o coração leve e cumplicidade de amigas de longa data.
· Obrigada
querida amiga, pela confiança – te desejo o melhor. Hoje e sempre! Muita luz na
sua caminhada. Conte comigo.
Abraços fraternos.
Inté!

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