segunda-feira, 21 de abril de 2014

Perdoar.. por nós mesmos.

Estamos propícios a errar diariamente, somos tendenciosos a magoar muitas vezes sem querer.
É possível que nossa intenção seja boa mas, de repente as palavras saem erradas e uma virgula muda todo o sentido da oratória.

Outras vezes, falamos ou fazemos o que no momento achamos ser o correto e, logo depois nos arrependemos e descobrimos que não agimos da forma mais correta.
De qualquer forma, errar, magoar e ser magoado faz parte de nossas rotinas. A dúvida é como prosseguir.

Quando somos o ofensor – porque claro somos suscetíveis a erros – devemos de pronto assumir a responsabilidade pelo ato falho e pedir o perdão ao nosso irmão.
Mas e quando somos o ofendido?

Essa semana tive uma experiência linda – recebi um e-mail de uma então desconhecida contando uma experiência pessoal de sua vida e, discutimos sobre os fatos. Como ambas não são especialistas no tema, tampouco profissionais em comportamento humanos – apenas expressamos nossas opiniões.

E, como sempre aprendemos e ensinamos com as experiências foi um bate papo proveitoso para ambas e, com sua permissão passarei a descrever o que acredito ter sido uma grande lição.
Em síntese, minha nova AMIGA – D. Maria José - foi severamente magoada pelo companheiro de mais de 15 anos e, mal conseguia administrar todos os sentimentos que no momento a invadia. Misto de ódio, rancor e amor abafado pois foram muitos anos de dedicação.

Depois nos certificamos que qualquer tipo de vingança e multilação não seria viável, como noticiamos nos jornais e, ao alcançar até algum tipo de descontração pois na hora da raiva muitas ideias povoam nossas mentes.

Lembramos sem muitos detalhes da passagem de Cristo que disse a Pedro que devemos perdoar o inimigo 70 vezes 7. E, minha amiga acabou confessando que, em 15 anos de casada talvez tenha até ultrapassado as 490 vezes (que em contas rápidas seria coisa de três vezes por mês – pareceu-me até razoável).

Quando D. Maria José sinceramente admitiu que não conseguia esquecer, lembrei que usuamente ouvimos que PERDOAR é esquecer o mal que nos foi feito.

Foi quando lembrei-me de uma palestra de Edivaldo Franco orador de máxima grandeza e pessoa a quem tenho admiração imensurável.

Segundo o Doutrinador - Perdão verdadeiro é aquele que consiste em não devolver o mal praticado. É não conservar a ideia perturbadora.

Afinal, cada um o direito de ser como é e a nós concedemos o direito de sermos como estamos. Não conseguiremos mudar o outro mas, temos o dever de melhorar a nós mesmos pelas experiências que passamos.

Não tenho como impor minha vontade e aquilo que acredito, mesmo que seja a mais correta mas tenho obrigação - pois quero caminhar para o bem e para a evolução de não revidar o mal com o mal.

Quando uma pessoa nos ofende – ela tem o direito de ser como é – ela escolheu ser caluniadora e eu também lhe dou esse direito – mas eu não posso me dar o direito de ser igual, ficando com raiva, ou lhe fazendo mal também.

A cada vez que uma pessoa tenta nos ofender e, nos sentimos ofendidos exatamente do jeito que ela pretende – estamos sendo manipulados por ela.

E, ninguém pode manipular nossos sentimentos e a nossa vida!
Então não dê a importância maior do que realmente aconteceu.

Não acredite que outra pessoa tenha o poder de controlar sua vida, sua mente e a sua felicidade.
Veja-a como um medico analisa o seu paciente. Um doente. Por que uma pessoa saudável não magoa o próximo, não sente prazer em sofrer a pessoa que ama.

Não o analise com julgamento, mas, com a percepção de que aquela pessoa não consegue se mais ou menos do que aquilo naquele momento. Cada um tem o seu caminho, tempo e velocidade na evolução.

Se alguém nos ofendeu, magoou, caluniou ou traiu por mais sofrimento que tenhamos, ainda estamos numa situação privilegiada. Pois não fomos nós quem ofendemos.
Tanto nós quanto o ofensor sabemos quem caluniou e traiu. Quem é o ofensor e o ofendido.
O problema é da consciência dele.

Deixe-o com a culpa que lhe pertence, não podemos permitir ficar manipulado pelo seu ódio e por sua maldade. Odiando-o também.

Não devemos aceitar que outrem tire a beleza do nosso dia, da nossa caminhada – por ser doente.

Agora, mesmo ciente de que não devemos revidar o mal com o mal – sabemos que esquecer é outra coisa.

Muitas vezes até gostaria de esquecer mas fisicamente e fisiologicamente não seja possível.
Aquela imagem, continuará guardada em nossa memoria – o que mudarão serão as sensações que as recordações trarão.

À luz a psicologia perdoar não é esquecer. Mas, não devolver o mal com o mal. Acredita-se inclusive que a sentir raiva é natural, mas, conservar e cultivar o ódio nãos é saudável.
E, o que fazer com a magoa e a raiva – isso sim nos pertence.
Temos que ter a consciência de que por mais que a pessoa levará com ela e sua consciência o erro cometido, nada temos com isso.

Com o tempo, a magoa vai abrandando pois passamos a perceber que demos importância maior do que deveria.

E o esquecimento somente vem quando a memoria se encarrega de diluir a impressão negativa o que implica tempo, reflexão e auto superação, conforme ensinou o autor Divaldo.

Perdão não é conivência com a coisa errada, mas não estar contra ele.
Perdão também fingir que está tudo bem. Devemos perdoar quando realmente tivermos dispostos a isso. Se alguém nos pedir perdão e não pudermos fazê-lo de coração devemos ser sinceros:
- Infelizmente ainda não consigo te perdoar ou, ainda estou muito magoado.
- de-me um tempo eu preciso diluir.
Por que o tempo nos é um ótimo companheiro. Temos que digerir, diluir a raiva. Evitando com todo o nosso coração cultivar essa magoa que, muitas vezes é capaz de tirar uma vida. Morrer de desgosto.

Importante é lembrar que temos o compromisso com nós mesmo e não com o outro, perdoo por mim, para a minha felicidade.

Não permita que outras pessoas atrapalhem sua felicidade e o brilho do seu caminho.
Gandhi dizia: “Eu não aceito que ninguém me ofenda’ dou o direito da pessoa ser agressiva mas não me permito revidar a agressão.




Por que se a outra pessoa é assim, nós não somos.

A vida já nos coloca muitos obstáculos, desafios e provas, não vamos carregar o peso do outro.
E, depois de muitas trocas de e-mails, muita maturidade para tamanho desabafo e nos despedidos com o coração leve e cumplicidade de amigas de longa data.



·     Obrigada querida amiga, pela confiança – te desejo o melhor. Hoje e sempre! Muita luz na sua caminhada. Conte comigo.

Abraços fraternos.
Inté!



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